Depois de mais de 6 meses da proibição da trilha da Pedra Furada pelo ICMBio, imaginamos que ela já está entre as bracatingas, turfeiras e vassouras que devem ter tomado conta da estreita trilha rapidamente, no último verão. Ela já estava bem fechada de mata, quando passamos pela última vez, devido ao baixo impacto causado pelas pessoas que lá passavam.
Mas, ah... que saudades da trilha da Pedra Furada!
Era diversão e educação ambiental garantidas. Fora as imagens espetaculares que a atividade
proporcionava aos olhos de quem avistava a Serra Geral pela primeira vez, e às lentes das máquinas fotográficas e aparelhos celulares dos mais variados tipos.
Essa trilha foi realizada pela primeira vez antes da criação do Parque. Quantos serranos já conheceram-na antes mesmo do Decreto de criação de 1961, assinado pelo presidente Jânio Quadros?
Que saudades da Pedra Furada!
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| 1948 – Trilha da Pedra Furada a partir de Orleans por Jocondo Crozeta, José Dalsasso, Lodival Dalsasso |
Nos últimos 20 anos, cada vez mais pessoas buscavam essa aventura, que as faziam delirar naquele local. Havia quem dizia ser um portal. Havia quem alimentasse o sonho do tesouro do Morro da Igreja. Mas todos se rendiam aquela força dos paredões à sua frente e do basalto que ali estava, imponente, a demonstrar as forças do vento, do gelo, do sol, todos autores do intemperismo que criou a abertura na rocha.
Alguns não a respeitaram... houve até uma pichação em 2011. Mas foi bonito de ver o empenho dos guias em limpar a sujeira. Por essas e outras, o Plano de Manejo fez uma falta incontestável. Houve um empenho local profundo, inclusive da chefia do parque (Portaria 85/2012), em criar boas condições para essas visitações espontâneas, já que o órgão responsável se furtava à elaboração do Plano de Manejo. Documento que, segundo a legislação, já deveria ter sido publicado a mais de 15 anos. Todas as trilhas e visitações que já ocorriam a muito tempo foram organizadas. Os guias fizeram cursos que os capacitavam à condução de visitantes, cursos esses reconhecidos e ministrados pelo próprio ICMBio. Ninguém mais dormiu nos carros na estrada do Morro da Igreja esperando para ver a neve, inconsequentemente.
Em comparação ao aumento de carros que subiam para ver a Pedra Furada, o ecoturismo na área do Parque representava menos de 1% das visitações. E fomos acusados de depredação do Parque. Quando na verdade, ajudávamos e amávamos aquelas experiências.
Triste fase passa o nosso Parque. Travessias, cavalgadas, caminhadas, passeios de bike... tudo o que incentiva e informa sobre preservação de uma Unidade de Conservação foi jogado no lixo. E o Plano de Manejo? Nem sinal de fumaça. Não há mais nada.
15 anos do SNUC lançados janela afora. Muito trabalho colocado embaixo da pilha burocrática. Egos brasilienses atrás de uma mesa que, com uma caneta na mão, corta cabeças e sonhos.
Hoje nossa experiência com a Pedra Furada se restringe a uma visão ao longe, uma fotografia, um souvenir.
Que saudades da Pedra Furada e de todas as outras atividades, quando podíamos trabalhar no desenvolvimento do Ecoturismo no Parque Nacional de São Joaquim.
Conheça a Campanha Parque Nacional de São Joaquim - Conhecer para Preservar.
Ajude no Abaixo Assinado.

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